segunda-feira, 19 de maio de 2014

Entrevista - Paulo Renato Souza, Ex-ministro da Educação.





Para Paulo Renato Souza, o diretor é peça principal para a qualidade da educação

Provão, Enade, Prouni, Fundef, Piso Salarial... O ex-ministro fala da Educação Brasileira hoje e dos bastidores da sua gestão  -  12/12/2008 20:02

 

Texto Lu Scuarcialupi:

Educação é o assunto que mais cativa o economista Paulo Renato Souza. Ex-ministro da Educação durante todo o governo Fernando Henrique Cardoso, ele criou o Fundef, que garantiu o acesso de todas as crianças à escola, e o primeiro sistema de avaliação de ensino do Brasil. Aos 63 anos, mais de trinta deles dedicado à vida pública, o deputado federal pelo PMDB falou à repórter Lu Scuarcialupi em uma tarde de trânsito em São Paulo. Foram mais de três horas relembrando os 8 anos à frente da Educação brasileira.

Entrevistado em seu escritório nos jardins, entre retratos, fotografias e diplomas, Paulo Renato lembrava o passado com crítica, autocrítica, mas liberdade. Membro da Comissão de Educação e Cultura da Câmara, ele ainda falou dos caminhos que teremos de percorrer na busca por Educação de qualidade para todos no Brasil.


 Para ler, clique nos itens abaixo:

1. Qual o real problema da Educação no Brasil hoje?

Paulo Renato Souza : Qualidade. A Educação hoje é o único serviço público universalizado. A escola pode ser boa ou ruim, mas você tem o serviço. Aí vem o outro problema: boa ou ruim. Há escolas públicas muito boas na periferia. A questão é porque todas não são boas? Os professores são os mesmos, o salário é o mesmo. Os pais e as mães sabem quais são as boas, há fila na frente das escolas; nas que não são boas, há vagas sobrando, porque isso? No meu modo de ver, depende do diretor e da participação da comunidade, mas as duas coisas estão ligadas: quando um diretor é um líder, chama a comunidade; e quando a comunidade tem líderes, toma a escola e coloca um diretor bom.

2. Qual o ponto chave da Educação?

Paulo Renato Souza : Em um país como o Brasil, você tem de pensar na escola como o centro da comunidade e não apenas como um período de aula. Tem de pensar como uma referência para a comunidade em termos de participação, de esporte, de cultura, de lazer. Ao mesmo tempo, é preciso uma participação muito forte dos pais para cobrar resultados do diretor. E quando o diretor começa a cobrar os professores, o que acontece é o seguinte: no meio dos professores há uma porcentagem alta de professores extremamente participativos, uma média de professores normais e uma porcentagem pequena de professores ruins que são relapsos. Em geral, quando o diretor cobra, os ruins vão embora. Naturalmente, acontece um filtro e a escola passa a contar só com bons professores. Eu diria que o ponto chave da Educação é o diretor da escola, a partir dele você pode mudar a escola. Contando sempre com a comunidade. Aí esbarramos em outro problema bastante sério: garantir vagas escolares nos bairros onde as crianças moram. A população brasileira, nas últimas décadas, se movimentou muito. Ela migrou para as cidades, nas cidades foi para as periferias. Quando assumi a secretaria de Educação de São Paulo em 1984, fizemos um levantamento: faltavam 10 mil salas de aula e sobravam 8 mil salas no centro da cidade onde a população já não estava, mas faltava na periferia para onde a população, especialmente a mais carente, tinha se deslocado. O critério universal para o ensino básico é que a escola tem de estar no bairro. O poder público precisa garantir que a escola do bairro atenda a população do bairro. Isso foi um processo de democratização importante na estruturação da rede de ensino que ocorreu basicamente ao longo dos anos 1970 e 1980.

3. Quais foi seu maior desafio como ministro da Educação?

Paulo Renato Souza : O primeiro grande desafio foi montar o sistema de informação e, depois, de avaliação que implantamos. Quando assumi o Ministério havia uma carência de informação: os dados estavam desatualizados em quase cinco anos. Só no final do primeiro ano recebemos as informações do IBGE e da PNAD que continham a proporção de crianças fora da escola. Aprovamos o FUNDEF (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério) em 1996, ainda no escuro, sem informações. O Fundo teve impacto importante sobre a questão salarial, e mais importante ao trazer toda criança para a escola.

4. Como conseguiu o dinheiro para o FUNDEF?

Paulo Renato Souza : Primeiro, tinha o apoio do Presidente da República. Além disso, grande parte do dinheiro do Fundo é dos estados e municípios... apenas redistribuí. Os deputados achavam que uma proposta que vinha do Ministério da Educação não tinha impacto fiscal tão preocupante. E quando se fala em Educação todo mundo é a favor, é politicamente correto. Essa emenda constitucional, que tramitou


Referencias bibliograficas.

http://educarparacrescer.abril.com.br/politica-publica/entrevista-paulo-renato-souza-409193.shtml

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